domingo, 11 de dezembro de 2016

meus roles

O ambiente vai te encalacrando de fita cola e tem uma hora que não dá mais pra se mexer
O incômodo é a cadeira ruim, a cama, o ar com cheiro de mofo. não tem um movimento que dê certo e não seja destrutivo do futuro.
Aí você fica parado, incomodado mas, se mexer, vai incomodar mais
Eu to apodrecendo e já sinto o cheiro
Eu imagino como deve ser começar a flutuar, cagar pra gravidade, passar pela janelinha, subir até o fim do vão central e dar uma volta
E a solução é essa
Um rolezão bucólico por uns eucaliptos grandões, flutuando, vento na cara balançando as árvores e toda aquela baboseira brega
Volta, tenta saber se ainda tem esperança com todas as possibilidades da vida que ainda não foram encalacradas com fita, pensa, pensa, pensa mas não faz
Depois flutua de novo sem se preocupar
Dorme que passa



Existência e esperança

Já vou dizendo que eu vou me recuperar disso
Mas digo também que eu queria mesmo era olhar de novo pro seu sorriso limpo que não existe
Queria a sua vida de volta e limão na coca
Todo o tempo

Um olho olha pra frente e outro pra baixo, ainda
É muito sangue pra limpar rápido assim
Queria que abrisse um tobogan e que eu me metesse nele pra sair dessa piscina de petróleo na qual não dá pra se mexer e a pressão faz ele entrar olho adentro e pela respiração
Que faz a gente virar cada vez mais petróleo

Meus 20 anos já passaram e decepções não existem mais
Só luto e relutância de deitar a cabeça na mesa e cochilar sempre que lembra
Só rotina atrapalhada, arrependida, angustiada e esperançosa
Como o barato do dia. Às 0h não tem comida em casa: um delivery mais caro do que deveria.
E tá pronto, um dia de petróleo nessa piscina de 12 metros quadrados e cheiros mais variados
Que lembram tudo que é mais sagrado e vil, que sou eu. Aliás,
Tudo é meu aqui dentro.

Tá difícil demais
Tá difícil demais

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

olá,

tudo bem
tudo
beleza!
riso
que te traz aqui
a nada de mais e você
tédio, sei bem
quanto tempo
é, verdade
e o resto
que nada
mas tá tudo bom
bom saber
com certeza
e novidade
a gente marca
uma saudade
sim,
de repente: beijos



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

voz


ouço atento os lábios
moldes simples
Seus lábios junto a um par de olhos
sorriem
para o ar que é ainda estático
leio fotos
e entendo o óbvio
dizem

sua harmonia tempera
tingindo o ar estreito
feito
efeito grave de um cutelo àfiar

abissal
seu som é consonante par
reproduz seu dever valvulado
de ser fado
sublime forma sólida
vibra aqui serena
tímida ao lado

(05/2012)



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Poema feliz

Até o maluco tem os seus padrões,
nas viradas: exceções
dentro de seus aceitos.
O que eu faço não é nada disso
sou estranho homem feito
e tudo admito mesmo


sexta-feira, 23 de novembro de 2012



quero lembrar disso
da fonte de glória que é nossa
inesgotável como meninos
saudosos que sempre seremos

esse instante é a porta
sem tempo,
já que quem tem tempo é a saudade.
e ela é cada dia mais proventa
em campos que a cada ano,
aparecem em tons mais verdes
menos reais
saturados e,
- irmão,
a coisa mais linda de todas
são esses campos

a falta desse instante,
as cabeças remorsas
vasilhas afundadas em momentos
que poderiam não ter minutos
nem anos
e que só são nossos por dor
preciosa
que abraça
como eu te abraço
por não viver mais
o que ontem já sabíamos
que hoje seria ainda mais pesado

já que as cores de que recordo
são todo dia mais
saturadas

Pegue um vôo
e passe sobre os campos,
entre na floresta e cace
desbrave a pé e a cavalo cada atalho
beba e fume essa fábula que não existe
e que só será fábula pela falta que fará
o vento que provamos e que cheira passado

o cheiro é o mais impressionante, não é?
não lembra nada específico
lembra laranja
quiabo
roupa
casa com cheiro de gente
enfeite de natal

nós éramos inertes e satisfeitos
pedras impensantes
éramos novos
e lindos
tão lindos quanto sabemos
que morreremos esquecendo
todo dia menos
menos exata
mais saturada.
- meu irmão,
lavado em chuva quente,
sente o cheiro de mato?
ele nunca mais
nos fartará tão bem
quanto daqui pra frente

isso nunca vai ser mais bonito
que no dia da minha morte.
Nós sempre soubemos de tudo!
só guardamos com tanto terno porque sempre soubemos.
era claro que não daríamos àquele instante seu leito
é por isso que ele é tão lindo
nesse dia de morte você lembrará que para mim
tudo vai ter escorregado e perdido
nesse dia a morte temerá,
que quando você também não lembrar
tão enterrado quanto insignificado
perecido no ar
sumido
o instante não viverá





quinta-feira, 15 de novembro de 2012

3 poesias

você é o sangue que pulsa
bem bonita
sendo ainda
dona desse manejo
que levemente aflito me deixa
pelo fino que tirou
do lugar que entrou
pela porta entreaberta
na abertura era certa
e seu corpo de força e finesa
saiu implorando um desejo
pedindo alerta fera
ou um soldado em perigo
por algum tipo de esperteza
esperta (quem me dera)
indigente quimera aos poucos sai.
pra trás.
corre e tropeça
mas não sabe
nem metade
das pegadas que o curupira entra,
que rebobina ódio e acerta
essa raiva que amanhã não tem mais

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pra que serve a palavra
as minhas não sabem

quero falar de você aqui
nesse espaço branco e cinza
em que você falta

tanto aqui quanto a mim

mas a palavra não sai
quer dizer, não sabe

sair elas até saem

eu te amo

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o cigarro não é mais
que a comida não é, mas
o vinho seria mas não é suficiente
não é mais
não assim, mulher!
cada um com sua parte
e chego a dizer que
qualquer metade talvez servisse
sabe lá o que vai ser?
vai ver que mais dia
saio de bem com você
para um passeio com todas as suas
que são suas mas
seriam mais lindas se
num alívio abraço
e tudo mais:
bebidas, comidas,
menos labios vazios
de cigarros,vinhos
vazios dos seus ares, beijos e outros cálices
da sua vontade de menos receio
que ainda vejo mínima
e desejo
ainda